Já reparaste? pelo outono,
nas noites frias e sem lua,
-quando um silêncio de abandono
cai sobre a enorme alma da rua-
como o beijo de luz que as janelas abertas
põem nas calçadas tristes e desertas,
faz reviver do fundo da memória,
por um milagre de magia,
um gesto morto e já olvidado,
o doce fecho de uma história,
sombra de amor, melancolia
vago perfume do passado?
Janelas alta noite iluminadas
deixando advinhar ao crivo da cortina,
suaves palavras murmuradas
por duas bocas bem-amadas
e a exalatação das almas postas em surdina...
Eu recordo,perdida,
longe, em um trecho azul da minha vida,
uma janela assim:
Oasis de branda claridade
dentro da noite, a transbordar felicidade,
para o mistério de um jardim...
E o fantasma da minha mocidade ,
só, debruçado junto a mim.
Alceu Wamosy
domingo, 24 de janeiro de 2010
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Acredito que este poema de Alceu Wamosy é, assim uma das provas da reencarnação.
ResponderExcluirMuitas pessoas, especialmente, as solitárias,
já sentiram ou vão sentir, do fundo da alma,
esse suspiro de saudade de um amor que um dia vivemos.
Minha afinidade com esse poeta é imensa.
Sinto saudades de ti, Alceu.