sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

domingo, 24 de janeiro de 2010

Pela noite alta

Já reparaste? pelo outono,
nas noites frias e sem lua,
-quando um silêncio de abandono
cai sobre a enorme alma da rua-
como o beijo de luz que as janelas abertas
põem nas calçadas tristes e desertas,
faz reviver do fundo da memória,
por um milagre de magia,
um gesto morto e já olvidado,
o doce fecho de uma história,
sombra de amor,  melancolia
vago perfume do passado?

Janelas alta noite iluminadas
deixando advinhar ao crivo da cortina,
suaves palavras murmuradas
por duas bocas bem-amadas
e a exalatação das almas postas em surdina...
Eu recordo,perdida,
longe, em um trecho azul da minha vida,
uma janela assim:
Oasis de branda claridade
dentro da noite, a transbordar felicidade,
para o mistério de um jardim...

E o fantasma da minha mocidade ,
só, debruçado junto a mim.

Alceu Wamosy

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

revelação

 Triste paisagem, de alma esbatida e confusa
 Céu sem luz, a chorar sobre a viúvez das rosas
 Com que coroei a minha musa nas tardes dolorosas
 do meu outono de recordação

 Geme dentro de mim a divina tristeza de estar só
 Sentindo o coração como uma velha urna
 Onde dormisse, em pó, todo um sonho de amor e de beleza
 Não há nada preciso:um acorde, um soluço,uma tinta,um sorriso
 E bastava, no entanto, o gesto só de Alguém que eu não sei mais
 [quem seja
 Para se realizar como de encanto
 Tudo o que o meu espírito deseja
 E que veem os meus olhos à distância,
 Sempre que a exaltação à alma me prende
 Um par de asas em ansia

 E o que o meu coração ansioso espera
 Que se desvende
 De graça, de paixão e de harmonia,
 Tudo desvendaria
 O seu olhar radiante de quimera...

 Alceu Wamosy

sábado, 9 de janeiro de 2010

Chuva de Natal

 Não me lembro de alguém mais junto de mim e do meu pai .Para mim , éramos apenas ele ( meu papai
querido,meu protetor, aquele que todas as noites nos levava , quando chegava do trabalho, balas quinze)
e eu naquele dia (à tarde ou à noite) tomando aquela chuva no caminho de volta para casa. Voltávamos
de algum empório, onde forâmos fazer compra para a ceia de Natal. Ele segurava a minha mão e eu estava
muito feliz! Minha  memória emotiva  me faz sentir de novo tantas alegrias vividas na minha  infância.!
A ávore meio torta de Natal, as bolas vermelhas(quebráveis)... Eu adorava ficar olhando para nossa árvore!
Só de olhá-la sentia o Natal se acender dentro de mim. Meu pai sempre trabalhou muito! Minha infância foi
pobre materialmente, mas  muito rica de amor, de proteção. Quase chegava a enchergar o vínculo espiritual
que havia  entre meus pais e eu. Só Deus sabe (eu tive alguma noção disso  mais tarde) o quanto foi  importante, vital para o meu desenvolvimento psicológico, para a minha sobrevivência mesmo neste mundo
tão doente ainda, a presença dos meus pais na minha vida.
Houve muitos e muitos natais iluminados, coloridos, cheirosos,chuvosos...Porém,meu pai e eu voltando  com  a sacola de compras para a ceia de Natal, só me lembro desse... de 1965 ou 1966

Por mais conflitos, problemas, dificuldades que eu tenha e/ou que ainda possa vir a ter, sempre vou amar o
Natal, sempre vou esperá-lo com o coração meio que voando com suas asas feitas de uma alegria que
sempre se antecipa à noite de Natal. Como naquela música do desenho do Peter Pan: " Pense uma coisa
bem boa e num instante você voa... Pense o Natal a chegar...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Meus filhos e a música...

Poeticamente, sempre que estava grávida ,uma música me envolvia , de alguma maneira,
tornando-se tema daquela gestação. A letra representava aquele amor que chegava e crescia
mais a cada dia. E de acordo com cada momento,de cada gestação, a música me ensinava
algo sempre, me consolava às vezes, me alegrava outras, tocando com esperança o meu coração.
Tenho três muito amados filhos: Vitória, Estela e Vitor.São três talentos, espíritos corajosos e
esforçados que Deus confiou-me e ao Fábio, nesta existência a fim de cuidarmos, orientarmos,
amarmos... E que muito nos têm ensinado.

VITÓRIA : nascida em 19 de setembro de 1992 ( minha filha mais velha)

Música: "Quando entrar setembro e a Boa Nova andar nos campos, quero ver brotar o
perdão do que a gente plantou, juntas outra vez... " ( Beto Guedes)


ESTELA: Nascida em 11 de abril de 1994 (minha filha do meio)

Música: " vieste na hora exata com ares de festa e lua de prata...Vieste com a cara e a coragem, com malas, viagem pra dentro de mim ... meu amor..." (Não me lembro o cantor)


VITOR: Nascido em 16 de março de 1998 (meu filho caçula)

Música: " Se pensas que esta Terra te pertence, você tem muito ainda o que aprender...
A árvore aonde irá? Se você a cortar nunca saberá!..."( Do desenho Pocahontas )

Agradeço todos os dias a Deus pela minha vida, meus pais e os filhos inteligentes e sensíveis e
amorosos que eu tenho e por ser cada um tão especial para mim e, com certeza para todos
que com eles convivem e conviverem futuramente.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Bolo Pulman e guaraná



Naquela época nã o havia muitas opções de bolos de sabores artificiais industrializados ,nem de

pães de forma ou biscoitos; nem mesmo de refrigerantes. O guaraná era Antártica , a cocacola

era da Cocacola, os biscoitos Tostines, os absorventes higiênicos eram Modes( Ah! Não! Ainda

não havia absorventes higiênicos!). Bem, vamos ao que interessa, ao que muito me interessou

e agradou no meu aniversário de 4 anos.

12 de outubro de l965: Meu irmão João, que era padeiro, trouxe, especialmente para mim,

bolo pulman e guaraná, para comemorar o meu aniversário. Minhas lembranças desse dia

estão no meu coração,posso senti-las ainda que não tenha muitas imagens.

Infelizmente, o João não conseguiria resitir às tendências alcoolistas e suicidas;ou uma e outra são a mesma coisa. E seu futuro não seria então o que minha mãe desejou, pelo que ela tanto

rezou...

domingo, 27 de dezembro de 2009



A casa das bananeiras



Era o ano de 1964 ,possivelmente no final.

Havia no ar um clima de alegria, novidade.Pelo menos é o que sinto daquele dia. (Bom é Deus

que não nos permite lembrar de outras vidas , nem prevermos nosso futuro, o que , no primeiro caso, ajuda-nos a recomeçar uma relação afetiva como se fosse do zero e, no segundo, mantém-nos sempre viva a esperança de dias melhores: mais calmos,mais claros,

mais iluminados...

A minha lembrança, que é mais sensação do que memória, é da nossa mudança para uma

casa de tijolos, com um grande quintal e uma sala com piso de vermelhão,onde muito brilho

daríamos; fosse com os pés, mãos ou até com a cabeça! Só mesmo o banheiro, que ficava

do lado de fora, não consigo relacionar nem mesmo com a palavra "bonitinho".

Havia na cozinha uma prateleira feita com uma tábua comprida, onde minha mãe colocaria

suas panelas .Ali alguém me pôs sentadinha por um instante. Essa pessoa sorria, estava mesmo contente...Mas não me recordo do seu rosto. Pode ter sido meu pai, minha mãe, ou um

dos meus ( até aquela data e porque a Fátima também era muito pequena) cinco irmãos:

Geni, João, Ana Maria, Olinda Maria e José. O senhor Antonio Antunes de Oliveira e a Dona

Alice Leme de Oliveira ainda teriam mais duas filhas, que nasceriam naquela casa:

Marília da Penha e Roseli Tadeu.